três momentos
um deles foi quando eu li um artigo de um pdf que depois vou ver se leio com mais cuidado, gentilmente cedido pela Rosi. No pdf, vários artigos refletindo sobre interatividade. Num deles, uma discussão interessante.
Contrapondo a noção atual tida como positiva da usabilidade com a visão levemente marxista do McLuhan, bem mais antiga, de que ao imaginar um trabalhador com seu horário flexibilizado, podendo trabalhar de qq hora e lugar, usando vestimentas interativas, óculos-monitores, etc, que seria uma forma da máquina capitalista extrair até a última gota de exploração mais-valiana do pobre trabalhador ;-) [jargão esquerdista proposital]
não vou entrar no mérito de quem está certo ou com qual eu concordo, mas eu sempre acho interessante tentar olhar as coisas por outros ângulos, para tentar compor um pouco melhor a opinião. Marxismo certamente anda fora de moda fora dos rincões bolivarianos, mas mal não faz tentar imaginar como será o mundo interativo daqui a alguns anos e se todo o progresso só irá trazer necessariamente benefícios. Nunca é assim.
"mas vc preferiria viver sem email e celular?" (retórica estúpida que significa "se vc não gosta de usabilidade, então vc não gosta de nenhuma tecnologia e de nenhuma de suas utilidades")
claro que não. algumas pessoas com certeza. achar que email e celular somente melhoraram o padrão de vida... duvido. Continuo sentindo falta das férias na praia longe dessas coisas. Se é tão bom, pq a imagem que a maioria das pessoas têm das férias no meio do mato ou na praia é sempre longe da infernet? Infernet é trabalho, e o progresso tecnológico não livrou o trabalhador da carga de trabalho como se imaginava bem antigamente.
o segundo momento foi quando eu vi o senna usando o celular dele como videofone. minha primeira impressão: sem um fone, o videofone é uma tremenda perda de privacidade, pq vc não pode olhar um celular e encostá-lo na orelha ao mesmo tempo. Eu fico imaginando aqueles videofones conceituais da década de 60, onde os tecnólogos vibravam com a idéia de ter um monitor na sala no lugar do telefone, onde vc pudesse conversar olhando na cara. Ou que fosse o Harrison Ford na Los Angeles futurística usando o orelhão pichado videofone.
interessante pq num mundo real, eu imaginaria a maioria das pessoas querendo de volta suas privacidades. Eu não quero que vc ouça o que eu ouço. Eu não quero que vc veja o que eu vejo...
e o terceiro momento foi agora à noite, eu fui acordar prá dar a última dose de xarope prá Teresa, quando a Lud acorda gemendo e se contorcendo de dor. Nos primeiros 2 segundos, eu sou tomado por um rápido pânico e confusão enquanto a Lud não consegue me dizer o que está acontecendo.
Intuitivamente, eu imagino "é câimbra" e logo começo a puxar o polegar dela para cima, na esperança de que seja na panturrilha. Aos poucos, ela consegue confirmar que era o que eu imaginava mas que não está passando. Ela pede que eu solte o dedo mas continua reclamando. Eu decido então puxar com mais força. A câimbra cede, o músculo relaxa e ela suspira.
depois fiquei pensando
"se sua mulher acorda gemendo e se contorcendo de dor no meio da noite, sem conseguir te dizer o que é e onde está doendo, quantos segundos vc leva para tomar a atitude certa?"
eu levei uns 2 segundos
sortuda ;-)
bene em curitiba
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a r...
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